Pense na seguinte questão: você já comprou ou compra coisas que acaba não usufruindo 100% ou que tem tamanho ou quantidade exagerados para aquilo que você realmente precisa?
Uma infinidade de coisas devem ter passado por sua cabeça, desde a caixa de remédios com dez comprimidos que você acaba tomando apenas seis, o pacote de biscoitos que você comeu metade e a outra metade murchou, o seu celular que tem dezenas de funções que muitas você até desconhece, o carro que tem lugar para 5 pessoas, mas você usa 80% das vezes para apenas 1 pessoa ou o CD que vem com dezenas de músicas e você se interessa só por duas.
A indústria precisa de mercado consumidor em volume para manter suas máquinas funcionando e assim garantir a sua sobrevivência. Algumas indústrias, no entanto, são hábeis em gerar o consumo forçado de uma parcela significativa do que produzem.
Mas por que consumo forçado? Forçado porque para buscar lucros crescentes as indústrias sempre dão um jeito de vender cada vez mais do mesmo e uma forma de fazer isso sem que o comprador questione é aumentando o tamanho, a quantidade ou adicionando funções.
A questão é que se refletirmos bem, muito do que vem a mais nos produtos não nos interessa ou simplesmente não precisamos.
O grande problema desta atitude não é apenas que isso é mais um sorvedouro de nosso dinheiro e afeta nosso plano de ser rico, mas que em alguns casos há impactos negativos a nossa própria saúde e ao meio-ambiente.
Se pensarmos na indústria alimentícia, por exemplo, é fácil perceber que o exagero nas quantidades e nos tamanhos é uma causa dos problemas alimentares e da obesidade. O interesse desta indústria vai muito além de simplesmente matar nossa fome e sede.
Isso é bastante evidente nos Estados Unidos onde as porções de comida preparadas ou industrializadas e de bebidas açucaradas cresceram cada vez mais nas últimas décadas criando milhões de obesos.
A indústria automobilísca também é um exemplo disto. Apenas muito recentemente existem carros mais compactos para uma ou duas pessoas. Durante décadas esta indústria apenas projetou e fabricou carros cada vez maiores e mais bebedores de gasolina.
A poderosíssima indústria farmacêutica vem lutando fortemente contra a venda de remédios em dose única. Isso porque se as pessoas tiverem a liberdade de chegar na farmácia e pedir exatamente a quantidade prescrita pelo médico, o volume de vendas cairá.
Não sei quanto a você, mas se eu tivesse juntado tudo o que me sobrou de remédio desde que eu era criança e eles tivessem dentro da validade, daria para abrir uma farmácia…
O pior é que esta estratégia das indústrias ao longo do tempo acostumou mal o consumidor e criou hábitos ruins de consumo. É difícil encontrar alguém, por exemplo, que não tenha o desejo de ter um carrão utilitário ou um poderoso televisor de 50 polegadas.
Em alguns casos, como com alimentos, é possível escapar do consumo forçado recorrendo, por exemplo, à compra a granel. Porém, em muitos casos cabe a nós mesmos buscar alternativas ou exigir das empresas produtos menores e mais simples.
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2 comentários:
Excelente post. Pior que muitas vezes não percebemos esse consumo exagerado.
Já cansei de comprar pizza família apenas para minha esposa e eu. Sempre acaba sobrando e indo fora, um desperdício totalmente desnecessário.
Abraço.
Trabalhando com o que não gosta para comprar o que não precisa!
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